quarta-feira, 29 de maio de 2013

UMA ELEGANTE ESPERANÇA



UMA ELEGANTE ESPERANÇA¹

Aldo de Albuquerque Barreto


 [ Narrativa de quase 20 anos sobre uma historia do passado que eu trago para o presente por ter tido uma  vivência de participação operacional nas transformações da coisa;esta postagem está disponível na web desde  21/11/1998 e foi publicado em 1995 na Ci. Inf., Ibict, Brasília]


          “é preciso ser fiel ao sonho e não às circunstâncias”
                                                             (Borges)


Quase ao final de seu romance "O Nome aa Rosa" , Umberto Eco², deixa falar o abade Jorge da biblioteca medieval, local onde a trama se desenvolve:

" Mas de nosso trabalho, do trabalho de nossa ordem e em particular do trabalho deste mosteiro faz parte - aliás é a sua substância - o estudo e a custódia do saber. A custódia digo, não a busca, porque é próprio do saber, coisa divina , ser completo e definido desde o início, na perfeição do verbo que exprime a si mesmo. A custódia digo, não a busca, porque é próprio do saber, coisa humana, ter sido definido e completado no arco dos séculos que vai desde a pregação dos profetas. Não há progresso, não há revolução de períodos na história do saber, mas, no máximo continua e sublime recapitulação."

É legítimo acreditar que o dogma medieval do saber estocado, que não pode gerar conhecimento perdura até os nossos dias? Neste caso o objeto da ciência da informação e do seu estudo seria unicamente o de promover à custódia, e só a custódia, do saber armazenado,  sua organização e controle. E se assim for estas atividades de guarda e controle do estoque  se reduzem a processos técnicos, que não justificam uma reflexão em nível de pesquisa e estudos de pós-graduação.

Contudo, se o objeto da ciência da informação for entendido como indo além das restrições medievais e incluindo não só a guarda do saber acumulado, mas também, o seu direcionamento e a intenção de se criar conhecimento, então existe um espaço para refletir a percepção da informação, como fenômeno que pode modificar a realidade. É compreensível, neste caso, que grupos de indivíduos se dediquem a pesquisa e ao ensino dos atos de informação, seus estoques e o seu relacionamento com o conhecimento; a modificação dos estoques de saber, os quais não podem mais ser considerados como: "contínua e sublime recapitulação "; tornam-se crescentes, modificados e modificadores de estruturas.

A produção ou geração do conhecimento em indivíduos, grupos de indivíduos, empresas e a sociedade é o fenômeno essencial em um processo de produção e transferência da informação. Neste sentido, qualquer unidade de informação trabalhando com o gerenciamento , organização, controle e transferência da informação, possui duas funções básicas e um destino final.

A primeira função é definida como a produção de informação, que se operacionaliza com práticas bem definidas , apoiadas em um processo de transformação, que se orienta por uma racionalidade técnica , que lhe é específico; estas práticas são representadas por atividades relacionadas com a: reunião, a seleção, o processamento e o armazenamento da informação.

A produção de informação se acumula, continuamente, para formar os estoques, que são quantidades estáticas de informação armazenadas em acervos, em geral em  bibliotecas, arquivos, museus, bases de dados, redes ou de sistemas de informação. Os estoques estáticos de informação são indispensáveis ao  processo de geração de conhecimento. Mas por si só não efetivam este processo.

A produção ou geração de conhecimento no indivíduo, seu grupo ou a sociedade ocorre em com uma articulação mais ampla, com a intermediação da segunda função, que atribuímos a qualquer unidade de informação, que é a função de transferência da informação.

A assimilação da informação é a finalização de um processo de aceitação da informação que transcende o seu uso. A assimilação da informação cria conhecimento no receptor e em sua ambiência. Este é o destino final do fenômeno da informação: criar conhecimento modificador e inovador do indivíduo e seu contexto. Conhecimento que  referencie tanto o indivíduo como o contexto a um melhor estágio de desenvolvimento.

Contudo, o indivíduo  não é homogêneos, assim como é o tratamento técnico da informação , que realiza a constituição dos estoques . A realidade onde se pretende que a informação atue para gerar conhecimento é fragmentada em suas condições políticas, econômicas e culturais. Os habitantes desta realidade são multifacetados em suas competências para absorver a informação, diferenciando-se, em aspectos como: grau de instrução, nível de renda, acesso aos códigos formais de representação simbólica, acesso e confiança nos canais de transferência da informação, estoque pessoal de conhecimento acumulado e sua competência na decodificação e utilização do código linguístico comum.

Harmonizar o estoque de informação produzida e disponível na sociedade, com a sua transferência visando à assimilação, que opera o conhecimento é a intenção maior de todos aqueles que trabalham com a informação, particularmente a informação em ciência e tecnologia. Deveria ser também, uma preocupação de todos aqueles que lidam com o ensino e a pesquisa em ciência da informação.

Uma breve historia do tempo da ciência da informação
A preocupação com o ensino na área de ciência da informação, no Ibict e no Brasil começou em 1956, dois anos após a fundação do então IBBD (Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação). Neste ano foi oferecido um Curso de Especialização de Pesquisas Bibliográficas para a área de Ciências Médicas. O curso de espacialização transformou-se no CDC - Curso de Documentação Científica que, foi oferecido por cerca de 40 anos sem interrupção.

O curso de mestrado em ciência da informação do Ibict, teve seu início em 1970, refletindo a preocupação europeia e americana com a formação de recursos humanos para lidar com a excessiva produção de informação científica e tecnológica surgida no pós guerra. Foi a conscientização, no Brasil, para o necessidade de organizar e controlar a informação como uma ferramenta para o próprio desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

A estrutura do mestrado em ciência da informação do Ibict passou pôr três fases bem definidas. A primeira de 1970 a 1983, quando a maioria das disciplinas era obrigatória para os alunos e o conteúdo curricular predominantemente instrumental; o foco estava dirigido para o interior dos sistemas de armazenamento e recuperação da informação e suas práticas operacionais. 

No período de 1983 até 1992, o curso de mestrado, já como uma unidade do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, adotou uma estrutura mais flexível na obrigatoriedade de suas disciplinas. O estudante com seu orientador elaborava um programa de estudo diferenciado, de acordo com a sua necessidade e a do seu contexto informacional específico. Nesta fase o curso adotou o discurso da interdisciplinaridade.

A terceira fase, a partir de 1992 coincide com o início do Doutorado em Ciência da Informação, como uma estrutura independente dentro do Programa da ECO/UFRJ. O Doutorado modificou expectativas do corpo docente e discente em relação a todo o Programa de Pós-Graduação. Com o doutorado e após, um exercício  um ano de reavaliação do programa pelos seus docente e discentes, e pelas agências de fomento e controle do governo, o mestrado foi reduzido para 30 meses de duração, com menor número de créditos mas, sem perda de sua proposta de flexibilidade e interdisciplinaridade.

O desenvolvimento da ideia do doutorado em Ciência da Informação teve o seu início em 1986, quando foi aberta uma linha de pesquisa específica para a ciência da Informação , dentro do Doutorado em Comunicação da ECO/UFRJ. Esta linha que titulou doutores foi a semente facilitadora do doutorado independente de 1992. O doutorado em 1992 foi o primeiro no Brasil, uma ousadia que lutou contra muitos entraves, mas que possibilitou a formação de docentes para que fossem abertos outros cursos de doutorado no país.

Os vinte e dois anos (1970/1992) de experiência na especialização e no mestrado permitiram a sedimentação do novo curso de doutorado. Muitos alunos que já se graduaram no doutorado, retornaram ao mercado de trabalho e à academia e estão enriquecendo e reformatando a área. Os projetos de pesquisa dos alunos: da área de biblioteconomia, arquivos e museologia permitiu uma reflexão teórica adequada que parece indicar estar havendo uma maior e melhor compreensão e debate dos paradigmas dominantes da área de informação como um todo.

A esperança
A pós-graduação em ciência da informação existe e muitos entendem a sua importância em um mundo mais interdependente, onde a informação referência o homem a sua aventura individual e sintoniza a sua consciência a um contexto individual dentro das condições globais.

Contudo, não são poucos os que acreditam que a informação, ainda está colocada em uma ambiência medieval como no mosteiro de Umberto Eco. Ou que, os problemas de informação devem estar voltados para aplicações de curto prazo e atender sempre a temperança de um fantasmagórico mercado.

Para estes o trato com a informação se resume na extravagante alegria de supor a existência de um enorme acervo, cabendo aos seus guardiões unicamente o estudo da melhor disposição das estantes e da colorida arrumação dos seus livros³. Não conseguem entender uma reflexão sobre estas práticas. Estes, porém, estão confundindo forma e conteúdo, estrutura e fluxo, poder e complacência. Pedimos, então, para Borges ³ nos dar o final:

" Quando se anunciou que a biblioteca incluía todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante alegria. Todos se sentiram donos de um tesouro secreto e intacto. Não havia problema pessoal ou universal para o qual não existisse uma solução eloquente - num hexágono qualquer. O universo estava justificado, o universo expandia-se de súbito até a ilimitada dimensão da esperança. A biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, cuja circunferência é inacessível. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria que os volumes se repetem na mesma desordem ... Minha solidão alegra-se com esta elegante esperança."

Não compete  a uma área de conhecimento e seus idealizadores justificar continuamente a sua importância e a sua existência e seus caminhos. Seu desenvolvimento não se vincula ao mercado, mas ao capital cultural de uma sociedade. Este reconhecimento deve ser espontâneo e meritório. Resta-nos, portanto, aguardar com uma elegante esperança.

NOTAS : 

1 - Artigo revisto e adaptado em 21/11/98. Publicado na primeira versão na Ciência da Informação, Brasília, v. 24, n. 1, p. 7-9, jan./abril 1995. Algumas palavras foram adequadas nesta narrativa atual. 

2 - ECO, Umberto - O Nome da Rosa, Nova Fronteira, 13ª edição, Rio de Janeiro, 1983 (pp. 452)


3 - BORGES, Jorge Luis - A Biblioteca de Babel, em Ficções, 5ª edição, Ed. Globo, S.P., 1989.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

as palavras e os mitos







"Escrever é retirar-se. Não para a sua própria tenda para escrever, mas para a sua própria escritura. Cair longe da linguagem, emancipa-la ou desampará-la, deixa-la caminhar sozinha e desmunida. Abandonar a palavra. Deixa-la falar sozinha o que ela só pode fazer escrevendo. Abandonar a escritura é só lá estar para lhe dar passagem, para ser elemento diáfano de sua procissão: tudo e nada. Em relação a obra o escritor é ao mesmo tempo tudo é nada." (Derrida)

Assim, também, as Lexias de Barthes são  apontadas como fragmentos do texto que caracterizam uma unidade de leitura, um corte completamente arbitrário sem qualquer responsabilidade metodológica.

O nascer dos elos de uma escrita hipertextual. A lexia é o envelope de um volume semântico, a voz do texto tutor, a linha saliente de um texto plural. O texto tutor, seja ele o primeiro ou um dos seus muitos elos,  será sempre quebrado, interrompido em total desrespeito por suas divisões naturais.

"O trabalho do texto superposto, do momento que se subtrai toda a ideologia de totalidade consiste precisamente em maltratar o texto, em cortar-lhe a palavra." (Barthes)

Tanto o cientista como o artesão da bricolagem hipertextual estão a espreita de mensagens que, para o "bricoleur" são mensagens existentes e pré-transmitidas e colecionadas como códigos que permitem enfrentar situações novas; o homem de ciência antecipa sempre uma "outra" mensagem  que se espera nova e arrancada, com técnica, de interlocutores e sua ambiência.

O mais interessante no pensamento (selvagem) dos mitemas de Lèvi-Strauss  é o abandono de toda a referência a  um centro, um sujeito, um contexto específico ou uma origem absoluta. O discurso das estruturas acêntricas dos mitos não tem um sujeito ou centro absoluto.

O mito de referência (o texto tutor) não deriva unicamente de uma posição central, mas de sua posição irregular no interior do emaranhado de fragmentos que se interconectam: " o mito e a obra musical aparecem como maestros cujo plateia são os silenciosos executantes. A música e a mitologia confrontam o homem com objetos virtuais cuja  somente sombra  é atual...."

Um conjunto de mitos pertence a sua ordem do discurso. Uma estrutura de mitemas corresponde a um conjunto informação acêntrica que forma virtualmente uma rede em um hipertexto onde a crua informação neles entrelaçada transforma-se quando reunida e cozida em conhecimento.




# partes do texto que está em http://www.dgz.org.br/out04/Art_01.htm

# imagem de http://jon-chu.tumblr.com/

sábado, 27 de abril de 2013

O que é uma publicação original e uma publicação inédita





Um artigo original é o que ainda não foi exposto ao público, não foi conhecido e não existiu antes por ser publicitado com a mesma estrutura em qualquer meio de divulgação destinado a atender a qualquer leitorado;  é inédito, é novo  aquele texto colocado pela primeira vez em um formato de veiculação  e disseminado em um  canal de comunicação para leitores específicos ou em geral. Nesse sentido entendemos que uma dissertação ou tese, publicada em papel impresso ou na web,  não retira a originalidade de um artigo sobre ela, pois a estrutura de informação é diferenciada bem como sua divulgação e leitorado. Não tem a mesma base e não passou pelos mesmos canais de divulgação.

Entendemos, entretanto, que um texto completo publicado e divulgado em papel e/ou em formato  digital em qualquer evento: congresso, simpósio, reunião, encontro, etc. disponibilizado e divulgado para acesso geral não é mais original ou inédito para efeito de publicação como um artigo de um periódico,  mesmo que receba, em seu conteúdo, algumas  modificações supervenientes da sua construção inicial, não é mais inédito.

Este problema de originalidade para textos completos em eventos seria facilmente contornado se para estas atividades fosse solicitado ao autor só um resumo ampliado de sua comunicação oral. A estrutura de informação estaria diferenciada e a originalidade do texto completo preservado. 


O depósito de um texto completo em um repositório de informação, no formato do artigo a ser submetido para publicação deve,  também, ser realizado após a primeira publicação do artigo original.


Aldo de Albuquerque Barreto

domingo, 27 de janeiro de 2013

Paradígmas da informação no espaço das conexões imediatas




A assimilação da informação é a finalização de um processo de aceitação  que transcende o seu uso. É um ato de apropriação que cria conhecimento no receptor e em sua ambiência. Este é o destino final do fenômeno da informação: criar conhecimento modificador e inovador do indivíduo e do seu contexto. Há que considerar agora os fatores  determinados por uma tecnologia intensa em inovação na informação e comunicação, mutante e veloz.  São os s cúmplices responsáveis pelo reposicionamento dos agentes do setor de que atinge o produtor de estoques, o documento, a transferência da informação e, sobretudo a relação do usuário com tudo isso.

Conhecer é um ato de interpretação individual, uma apropriação da informação pelas estruturas mentais de cada sujeito.  A geração de conhecimento é uma reconstrução destas estruturas no indivíduo, que acontece através de sua competência cognitiva, ou seja, é uma modificação no estoque mental de saber acumulado por cada um, resultante de uma interação com uma estrutura  de conteúdo. O conhecimento só se realiza na consciência dos receptores  sendo, portanto, subjetivo e relativo a cada indivíduo.

Porém, quando pensamos em tecnologias de informação e comunicação pensamos de imediato no computador, na telecomunicação e na convergência da base tecnológica.  Contudo, sendo essenciais para a nova técnica, estas são pequenas conquistas, são gadgets efêmeros que acompanham a infraestrutura da tecnologia: conjuntos de fios, fibras óticas, circuitos, pixels de fósforo  que formam os esqueletos de distribuição da informação. As reais modificações  das tecnologias intensas de informação trouxeram ao contexto um novo elaborar do pensamento e são às  relacionadas ao tempo e ao espaço da informação; a interatividade e a interconectividade.  Esta sim é a inovação que ficará  para sempre.

A interatividade representa a possibilidade de acesso pelo receptor em tempo real, no entorno de zero, a diferentes estoques de informação. A interatividade modifica a relação usuário-tempo-informação.  Reposiciona:  os produtores de informação, o acesso à informação sua distribuição e a própria  inscrições  em que estão os conteúdos. Cria um novo espaço baseado na velocidade da transferência das narrativas

A conectividade está relaciona com a possibilidade do usuário de informação em deslocar-se no momento de sua vontade de um espaço de informação para outro espaço de informação. De um estoque para outro. O usuário passa a ser o seu próprio mediador de escolha de informação, o determinador de suas necessidades. Passa a ser o julgador de relevância do documento e do estoque que o contêm em tempo real, como se estivesse colocado virtualmente dentro do sistema de armazenamento e recuperação da informação. A  conectividade reposiciona a relação usuário-espaço-informação. O usuário deixa sua posição de espectador do processo e atua junto aos estoques. Interage com documentos  e usa a interface de diferentes linguagens.

Nessa sua nova posição o receptor percebe, ainda, que não é suficiente ter somente acesso ao conteúdo, mas que necessita, também,  abalizar o seu significado e estar apto a reelaborar as narrativas em seu proveito e no da comunidade em que ele vive a sua odisseia individual. Estas mudanças operadas no  status tecnológico das atividades de acesso, armazenamento e disseminação da  informação trazem  mutações contínuas na: 

         a) mudança na estrutura de informação; as narrativas  provincianas, pois estão presas ao formato papel e tinta,  são substituídas por conteúdos cosmopolitas em base digital alocadas em repositórios eletrônicos no ciberespaço. Narrativas digitais estão em uma  trajetória vagante, livre e entrelaçada ao infinito. Seu percurso de passos delirantes é sem destino certo ou explicações fáceis; um percorrer de labirintos de medusas entrelaçadas.

         b) mudança no fluxo de informação que tradicionalmente era guiado pelo formato do documento, como em um folhetim que vai se contanto signo a signo e passa a ser orientado pela metáfora ampliadora que tem no link a passagem para sair e aumentar o tema.

         c) mudança no profissional da informação, que está hoje em um ponto no presente entre o passado e o futuro.   Convive com técnicas tradicionais de sua habilidade, mas precisa  atravessar para a outra realidade e novas tarefas, onde estão indo seus usuários.

Os modos de observar e viver a realidade tem variado ao longo do tempo. William Ford Gibson  que cunhou a palavra ciberespaço introduzia novos conceitos para uma época em se digitalizando com inteligências artificiais avançadas: O ciberespaço diz ele é o  lugar de comunicação que descarta a necessidade do homem físico para constituir uma troca de informação. Um espaço em que a vivência não necessita uma presença corpórea.

Podemos diferenciar esta ambiguidade como  estar na terra ou no viver no mundo. A terra é a parte sólida do globo, espaço e território da vida temporal profana e física com fundamento real seguro, sólido e incontestável. E é na força desta posição que a terra passa a ocupar um lugar no universo das realizações físicas; um lugar  que  converte o espaço  em possibilidades de fixar, espacializar e localizar. Ao longo da história, a terra tem proporcionado aos homens os recursos para criar, viver, morrer.

O mundo não tem a  realidade física como um principio regulador na relação com outros seres e seus artefatos. O mundo é  o continuum das relações sustentadas pela técnica e sua tecnologia. O eixo, em que giram o princípio e o fim de todas as coisas sem território definido sem pátria limitada, pois: "para o peito doido do homem nenhuma pátria é possível!" 

É difícil entender  e observar o momento exato em que estamos inseridos, por mais incrível que ele possa ser, pois existe uma proximidade alienante que nos impede de ver nossa atualidade.  Estar e ser contemporâneo convoca uma relação intrincada entre nós e o tempo e o espaço. O atual é o espaço do momento exato que a alma fica como que suspensa entre dois estado. Todos os que pensam estar ajustados com a sua época não podem fitá-la nesta proximidade. Estar na contemporaneidade não é um entrosamento final com o atual, mas  é um estar ali com intensidade transitória.

Talvez por isso   não   possamos ter o afastamento necessário para entender que existimos hoje em duas realidades: uma realidade objetiva onde vivemos  corporalmente presos a uma presença física aterrada e onde construímos todos os  atos e traços de nossa aventura individual  em direção a um fim. Em uma outra realidade vivemos a potencialidade de nosso ser virtual que significa a extrapolação do concreto e  do rompimento com as formas tradicionais do acontecer. Nesta outra realidade vivemos sem necessidade de uma presença física, não importando distancias ou superfícies. Nela podemos ser o avatar de tudo que sonhamos ser na atualidade objetiva.

É importante sentir, então, que habitamos duas realidades ao mesmo tempo. A anfibiedade que vivemos é a capacidade adquirida de habitar e interatuar em contextos e condições diferenciadas. É a anfibiedade do animal que pode viver na terra ou no mundo. Ou aterrado no viver físico ou desatado destas amarras para o mundo das coisas virtuais. Gibson nos disse  "um dos nossos erros é a distinção que fazemos entre digital e analógico e entre virtual e real. No futuro esta diferença será literalmente impossível. A distinção entre o ciberespaço e o que não  é ciberespaço será inadmissível."

A nossa anfibiedade faz nosso viver estar em dois espaços: o da realidade da existência e o da realidade potencial onde existimos metaforicamente linkados a outros que nos definem. São eles que executam a transferência do que somos para um  significado decidido por aqueles que nos designam. No mundo virtual somos, então, definidos por quem nos olha e conosco convive. Minhas narrativas  existem virtualmente no mundo do meu outro sem distancia espaço ou tempo definido. Minha vivência é a da conexão e meu destino são os meus links. 

Virtualmente existo na  translação da metáfora, na transferência de minha escrita para um âmbito simbólico que não é fixo, físico ou designado; ele se fundamenta num movimento sem corpo em que todas as partículas têm,  só por um instante,  a mesma velocidade e se mantém em uma direção inconstante. Uma relação de separação entre dois instantes, dois lugares ou dois estados do ser.

Nesta diferenciação de espaço e tempo estão colocados todos os paradigmas de uma nova ciência da informação

Aldo A Barreto

Notas

1 -  Foram usados no texto os conceitos de “Ma” e “Utsori” como definidos por Roland Barthes.
2 - William Gibson autor do famoso livro "Neuromancer (1984), onde cunhou o termo Ciberespaço.
3 - Hoelderlin (1795) citado em Emmanuel Carneiro Leão, “A Técnica e o Mundo no Pensamento da Terra”
4 - Reflexão apresentatada quando da participação online via skipe na banca de mestrado de Angela Claro da CI da Unesp de Marilia em 25/01/2013

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Fragmento de uma historia ainda sem fim




Em março de 2010 fui aposentado do SPF pela compulsória de idade que terminou com quase quarenta anos de vinculação  a minha casa de sempre o Ibict onde estive como docente e pesquisador. Mas, este momento do presente tem me sido, particularmente propício, e deve ser compensado. Considerando ser meu passado é evidentemente maior que o futuro eu  posso  falar sem  condições pecáveis de qualquer interesse que minha trajetória naquela Instituição  sustentou e realizou muitos de meus sonhos e permitiu traduzir o meu fazer na sequência do que tem sido a aventura de mina vida. E se foi assim é porque nunca me abstive de participar e, sobretudo,  não me abstive de lidar com paciência e com entusiasmo dos meus projetos e dos alunos com os quais convivi ali. 

Voltei assim a cooperar com o IBICT, agora sem qualquer vinculação formal, mas com a anuência da direção da Instituição. Assim, cada vez mais se desenha por vontade minha  o meu destino histórico.

Desvencilhei-me, recentemente, de uma "rara" experiência em uma instituição fluminense de educação superior privada. Só lá pude examinar a diferença entre o discurso gerencial mandatório e contrário a qualquer elegância acadêmica,  das decisões colegiadas mais fortes,  porém de amabilidade soberana. Todo poder mal constituído é fruto provável da coisa mal formatada e se desfaz com o tempo; no imaginário da liberdade individual a aventura do bem fazer tem forte racionalidade simbólica.

Sinto, em mim,  que a elegância deve sempre persistir  em todo o convívio acadêmico.

Aldo De A Barreto
16 janeiro de 2013.

domingo, 21 de outubro de 2012







Lançamento pela Editora Saraiva  do Livro “Gestão da Informação e Inteligência Competitiva”

Sumário              
Capítulo 1: A Questão da Informação - Aldo de Albuquerque Barreto
Capítulo 2: Barreiras na Comunicação da Informação -  Isa Maria Freire
Capítulo 3: A Mandala da Informação no Universo Corporativo - Claudio Starec
Capítulo 4: Inteligência Competitiva e Inovação Estratégica - Miguel R. Trigo, Bruno Soares e Luc Marie Quoniam
Capítulo 5: A Inovação e Aprendizado coletivo -  Durval Corrêa Meirelles
Capítulo 6: A Tecnologia no suporte a Gestão da Informação - Claudio Plachta
Capítulo 7: Inteligência para uma competitividade sustentável -   Daniel Roedel
Capítulo 8: Os Desafios do Profissional de Inteligência -   Elaine Marcial
Capítulo 9: O Gestor de Planejamento Estratégico da Informação - Jorge Bezerra
Capítulo 10: Coaching, Educação Corporativa na Prática Organizacional -Sergio Behnken
Capítulo 11: Proteção ao Conhecimento - Marta Sianes Nascimento
Capítulo 12: Benefícios e Riscos Jurídicos da Gestão de Informações Estratégicas - Gilberto Martins de Almeida
Capítulo 13: Gestão de Segurança da Informação - Marcos Sêmola           
Capítulo 14: Gestão de Riscos e Inteligência Competitiva - Cláudio José Silva
Capítulo 15: Planejamento por Cenários e Inteligência Competitiva - Carlos Felipe Lodi
Capítulo 16: A Construção de um Sistema de Inteligência Competitiva-Elisabeth Gomes, Fabiane Braga, Eduardo Lapa

ver em:
 http://www.saraivauni.com.br/Obra.aspx?isbn=9788502175334

sábado, 13 de outubro de 2012

Encontro sobre gestão do conhecimento e ativos intangiveis




A Unigranrio promove encontro sobre conhecimento, capital intelectual e ativo intangível
nas organizações contemporâneas? Como podemos transformar o conhecimento em fontes e fluxos de ativos intangíveis e de capital intelectual? O Programa de Pós-Graduação em Administração (doutorado) da Unigranrio promove, com apoio da FAPERJ, o “I Colóquio Brasileiro de Gestão do Conhecimento, Capital Intelectual e Ativos Intangíveis”, nos dias 6 e 7 de novembro, das 9 às 18h, na Bolsa de Valores, Centro do Rio de Janeiro.
O Comitê Científico receberá, até 12 de outubro, artigos para compor a programação do Colóquio, que buscará a articulação de uma agenda comum de pesquisa e de práticas aplicáveis ao cenário brasileiro.

Dois conferencistas internacionais confirmaram participação através de videoconferências

1)   Goran Roos é professor da Warwick Business (Inglaterra), influente pesquisador nas áreas de estratégia, gestão da inovação e política industrial. Atua como professor de Ativos Intangíveis, Gestão e Avaliação de Desempenho.

2)   Alexander Serenko, é professor de Administração e Gestão de Sistemas de Informação na Universidade Lakehead, no Canadá, além de especialista em comércio eletrônico é referência em gestão do conhecimento e inovação.

Intangíveis e Incorpóreos na linha de discussão - “O conhecimento teve seu status ampliado para elemento capaz de gerar diferenciais de competitividade a longo prazo, porque pode ser aplicado no decorrer da cadeia de valor, de diversas maneiras afirma o organizador do Colóquio, José Francisco Rezende. Os participantes poderão compartilhar de uma linguagem e de um enfoque que sejam capazes de gerar novos estudos e aplicações práticas, em que o conhecimento seja a condição para constituição de capital intelectual e ativos intangíveis frente à complexidade da nova economia.

Da geração de uma ideia até a proteção de um conceito de propriedade intelectual - “A gestão do conhecimento, do capital intelectual e dos ativos intangíveis está representada em conjuntos de atividades que vão da: concepção de um conceito, ou protótipo, até a garantia dos investimentos relativos ao desenvolvimento de um produto, serviço ou processo, pela via da patente ou da propriedade intelectual”, analisa José Rezende.

As inscrições para o evento (vagas limitadas) poderão ser realizadas a partir da página   http://migre.me/aXj3f,   pelo valor de R$90,00 (noventa reais). Esclarecimentos sobre inscrições, análise de trabalhos e patrocínio poderão ser realizados através dos emails :   rezende.jose@unigranrio.br

Telefones: 2531 6266  e 2531 8804 - professor Rezende

O Comitê Científico do “I Colóquio Brasileiro de Gestão do Conhecimento é constituído pelos seguintes professores e pesquisadores: Rui Otávio Bernardes de Andrade, Aldo de Albuquerque Barreto, Joaquim Rubens Fontes Filho, Josir Simeone Gomes, Denise Barros, Fernando Filardi, Marcos Gonçalves Cavalcanti e José Francisco Rezende.

Programa

Início
Fim
6 de Novembro



09:00
09:15
Abertura
09:15
10:00
Videoconferência Prof. Dr. Goran Roos (Warwick University)
10:00
10:45
Palestra Prof. Aldo de A Barreto - A gestão do conhecimento, o capital intelectual e os ativos intangíveis no eterno presente das conexões imediatas.



11:15
12:00
Mesa Redonda Capital Intelectual: por um valor possível.
12:00
12:45
Mesa Redonda Capital Intelectual: por um valor possível.
12:45
14:15
Almoço
14:15
15:00
Painel (CRIE/UFRJ) / apresentações
15:00
15:45
Painel (CRIE/UFRJ) / apresentações



16:15
17:00
Apresentações Concorrentes de Trabalhos e Cases
17:00
17:45
Videoconferência Prof. Alexander Serenko (Lakehead University)
17:45
18:00
Encerramento

Início
Fim
7 de Novembro

09:00

09:15

Video Prof. David Teece (Berkeley University)
09:15
10:00
painel Unigranrio-Cefet de Gestão do Conhecimento
10:00
10:45
painel Unigranrio-Cefet de Gestão do Conhecimento



11:15
12:00
Painel Unigranrio-Espm: a Marca e o Capital de Mercado
12:00
12:45
Painel Unigranrio-Espm: a Marca e o Capital de Mercado
12:45
14:15
Almoço
14:15
15:00
Apresentações Concorrentes de Trabalhos e Cases
15:00
15:45
Palestra Prof. Paulo Motta - Gestão contemporânea do Capital Humano e a geração de Valor



16:15
17:00
Palestra Profa. Anne-Marie Maculan - Conhecimento e Inovação: trilhas para o Capital Intelectual
17:00
17:15
Encerramento