domingo, 21 de junho de 2015

solistício







Hoje as 16,30 no tempo universal haverá o solstício de verão associado a luz e a momentos de afastamento e aproximação. O que me levou a pensar em grupos de pessoas de diferentes densidade vivencial e seus problemas de sua convivência devido a uma escala de desejos e preferências diferenciados. E como muda esta escala se pensarmos uma pessoa de 20 outra de 70 anos

A aproximação e o afastamento entre pessoas está, ainda, ligado a condições do imponderável e do evanescente. É preciso saber conviver com a adversidade das falsas questões e estar preparado para vivenciar o efêmero - aquilo que existe mais esta desaparecendo, que embora presente, vai no entanto morrer.

Confrontar o imponderável, a circunstância indefinível e inesperada que chegará poderosa e superveniente em nossa vida. Nesses momentos, dado a complexidade emocional destas configurações passamos a viver no pequeníssimo e indeterminado espaço de um vazio temporal; é como viver uma indeterminação entre dois estados. O silencio e o o repouso do afastamento.

imagem tom duffin

domingo, 15 de fevereiro de 2015

tenso, inesperado, raro e surpreendente




imagem Bill Gekas

Quando falamos dos estoques de informação, o acervo, o quantum de informação armazenada poderíamos dizer que, este é um dos artefatos com que operam os agregados de informação: a posse e a distribuição dos estoques de informação. Estes estoques estáticos de informação não geram conhecimento. Existem como possibilidade, como potência da condição de gerar conhecimento.

Para que o conhecimento opere é necessário uma transferência desta informação para a realidade dos receptores e uma conjuntura favorável de apropriação desta informação pelo individuo. Nesse momento nada é menos globalizado que a informação, pois nada é mais subjetivo, privado e individual que, a assimilação do conteúdo de uma informação pelo receptor. Na solidão da assimilação o receptor é uno e a apropriação da informação é dele, de mais ninguém.
É este então o lugar do conhecimento.

A assimilação da informação é a finalização de um processo de aceitação da informação que transcende o seu uso, um ato de apropriação. Este é o destino final do surpreendente e muitas vezes raro fenômeno da informação: criar conhecimento modificador e inovador do indivíduo e do seu contexto.  Entendemos o conhecimento como sendo uma passagem, um fluxo de sensações que são apropriados pela consciência do receptor e este é um processo que se realiza no mais oculto espaço de sua subjetividade. É um caminho pessoal e diferenciado para cada individuo.

Os modos de observar o mundo têm variado ao longo do tempo. Com a Internet  foi prestigiada a idéia de que, na busca do conhecimento, o pensamento e o espaço coletivo predominam  sobre a individualidade.  Contudo, há sempre o espaço do agregar político e o momento da solidão intensa. Um movimento único em uma só direção trará o declínio das grandes esperanças coletivas, a fragmentação dos projetos em uma pluralidade de histórias individuais.

O espaço público tomado pelo "festival de besteira que assola" seus limites perde força política cotidianamente; o espaço do conhecimento público se refugia em agregados individuais de inteligência privada fugindo dos prestidigitadores ágeis em artimanhas como a de administrar, em cartolas,  o conteúdo de consciências individuais.

A grande celebração da solidão individual deve ser mantida;  e  entendida que se processa em dois mundos, e co duas linguagens, a do criador da informação e a daquele que a aceita como conhecimento. Tal como Orfeu,  que habitou o espaço dos vivos e o espaço dos mortos, a informação é cidadã de dois mundos nesta passagem e assume a plenitude de seu intento que é:  tenso,  inesperado, raro e surpreendente.


Aldo Barreto - revisto 2015

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Um avatar do que sonhamos ser








































Um avatar do que sonhamos ser

Tem sido muito pensado neste século do espaço cibernético a questão do valor da tecnologia da informação, quando ponderado contra a possibilidade de uma existência mais simples e com mais felicidade.

Qual é o papel da informação eletrônica neste grande dilema do ser humano atual.  Quanto da informação se orienta para uma inteligência coletiva e quanto  para uma inteligência de competição individual  e organizacional. E quanto se orienta para a felicidade do ser humano na simplicidade dos seus espaços reais de convivência. Espaços do simples e doce sentimento da existência.

Domina o agir atual um fatalismo de agregação de valor individual, que quer determinar o curso dos acontecimentos como fixado e impossível de ser alterado. Esta imobilidade silente transforma o pensar em público em algo  escondido, subversivo, sem esperança e infeliz.

A convivência atual acontece virtualmente em uma realidade paralela de salas de discussão e mensagens eletrônicas; os jovens preferem a comunicação instantânea  de "torpedos" do “WhatsApp” para conviver e relatar no momento da vivência sua vida aos companheiros. A troca de sentimentos e informação vem sendo reprimida,  pois necessita de uma presença fisica de cercania.  Cada vez mais a opção  de uma vivência escondida se mostra nesta nova tecnologia da informação como a dos "Chats", o "Facebook", o "Twitter", os "Podcasts" e os RSS. Uma secunda vida se tornou possível em uma outra realidade.

Qual o limite dos em ambientes virtuais de convivência ou  do pensar colaborativo. Sempre me preocupou refletir sobre qual é o limite da tecnologia, ou a partir de que ponto este conjunto de conhecimentos e princípios  deixa de ter interesse social.


Penso que é quando a tecnologia  deixa  de trabalhar em benefício do indivíduo e volta para lhe causar problemas. As novas tecnologias de informação de tão intensas produzem, também,  medo, pois ao aumentar os poderes do homem o transformam no objeto da ação destes poderes, principalmente quando: O doce sentimento da existência é vivido por nosso outro;   um avatar do que sonhamos ser. Uma vivência sem presença.

Aldo Barreto 
dez 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A visibilidade do radical cor de rosa




Todo profissional se projeta pelas escolhas que vai fazendo durante sua vida. Nada é alcançado sem alguma luta, sem algum conflito com os outros. A natureza humana é contraditória e precisa de certezas concedidas pelo grupo de convivência. Mas, a visibilidade é relativa à densidade de valor que se agregou a uma coisa ou uma pessoa em relação às suas atitudes ao passar do tempo.

A visibilidade se liga às suas narrativas  escritas e publicadas, pois escrever reforça a forma de mostrar e dar-se a ver para a apreciação do outro. A escrita cria um lugar no passado ao qual podemos sempre recorrer e regressar para uma acolhida de coerência ou quando um confronto estiver inserido em nossa vida.

O reconhecimento do outro de nossa qualidade dá densidade e confere a visibilidade, pois nos separa com destaque entre pares,  como líder e paradigma; é uma atuação  que representa o reconhecimento de muitos para uma vida dedicada a tratar com  sucesso as metas conseguidas. Assim, mesmo a invídia de  pessoas ou artefatos excludentes pode retirar uma visibilidade que já acontecida.

Todos querem participação,  mas muitos não querem a exposição e o julgamento público que isso resulta. Ou não têm qualidade para expor ideias ou ações a seus convenentes. No mundo da visibilidade nossa atuação se relaciona a esta condição de convencer e não decepcionar o outro,  que confirma o nosso atuar com marcos que vão colocando no caminho desta nossa aventura existencial.

Existem profissionais radicais verdadeiros em todas as áreas: na arquitetura temos Brasília, na sociologia os direitos das minorias, na física a singularidade, na biologia a clonagem e assim seguindo acharemos os  em todos os campos uma visibilidade conquistada por ações. Estes são os radicas que se destacam trabalhando para objeto de seu amor. Estão voltados para  o fundamental e o  essencial em desenvolver sua arte ou ofício.

Contudo existe profissionais, tipo radical cor de rosa,  que pregam a discórdia, a confusão a briga entre conhecimentos e com pessoas com conhecimento. Nada produzem nada escrevem e com o silêncio dos insensatos lutam por uma presença sem possuir qualquer qualidade de arte ou ofício. Eles têm o silencio do conhecimento e da incomunicação pela  sua solidão solenemente  improdutiva. Quando se pronunciam é para semear a discórdia na inverdade de suas pequenas narrativas, seus dados mal arranjados ou recolhidos e inferências que privilegiam seus interesses de obscurecer coisas já estabelecidas.

Sua  opção intelectual é a do linkador, que por não produz nada de seu próprio eu consciente vai incitando a desordem intelectual por indicações mal formadas vivendo na dominância do cultivo intelectual do eu vizinho e refugiado em seu próprio casulo de onde vai dando indícios inadequados.


É nesse ambiente de convivência profissional que habita o radical cor de rosa,  que pelo anseio de uma de visibilidade não conseguida vive da palavra do outro como uma esmola que lhe deixaram as horas e os séculos.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

A visibilidade é relativa





a visibilidade é relativa à densidade de valor que se agregou a uma coisa, pessoa ou com o tempo. A visibilidade se agrega aos artigos escritos e publicados, pois escrever, eu creio, é mostrar-se e dar-se a ver para a apreciação do outro. A escrita cria um passado ao qual podemos sempre recorrer ou regressar para uma acolhida de coerência ou de confronto em nossa vida.O reconhecimento do outro da qualidade de pesquisador Sênior do CNPq dá densidade a visibilidade pois indica "um destaque entre seus pares como líder e paradigma na sua área de atuação, valorizando sua produção científica e tecnológica". "representa o reconhecimento da sociedade a uma vida dedicada com sucesso à ciência". Assim, pessoas ou artefactos excludentes, não podem retirar uma visibilidade que ja foi concedida.

http://www.cnpq.br/web/guest/pesquisador-senior

sábado, 31 de maio de 2014

SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE


SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE 
 por Aldo de Albuquerque Barreto 

"A Interdisciplinaridade não é mais o que costumava ser" são palavras de Pierre Jacob em seu artigo:  "A philosopher's reflections on his interactions with a neuroscientist"no  Seminário Virtual "Repensando a interdisciplinaridade" acontecido em: http://www.interdisciplines.org/interdisciplinarity com o patrocínio do "Centre National de la Recherche Scientifique" da França.

A questão da interdisciplinaridade, é dito, floresceu dos anos 70 a 90 para atenuar a maneira rígida e independente com que cada disciplina se posicionava na Academia. A partir de 1980, porém, a interdisciplinaridade tem sido usada para introduzir, com certo autoritarismo acadêmico, as soluções mal arrumadas para os problemas centrados nas dificuldades teóricas, metodológicas e práticas de uma área. As lacunas teóricas são preenchidas com uma reflexão estrangeira, com  arcabouços prontos trazidos apressadamente de outras áreas.

Muitas vezes o modismo intelectual e acadêmico pode levar a uma prepotência homogeneizadora do pensamento em vigor, são posições fortes e de difícil questionamento. A teoria dos Sistemas e depois o Cognitivismo, cada um em sua época, são exemplos disso. Durante o reinado de cada "embasamento teórico conceitual", qualquer projeto que não tivesse sua explicação teórica ou sua metodologia centrada em seu pensamento normativo, sequer seria analisado.

Ian Hacking comenta o fato no Seminário acima citado:
"A idéia da raiz é aquela de uma disciplina onde você pode ver como a idéia se bifurca. Em uma mão, os professores religiosos e acadêmicos, os coordenadores, ou os artistas modernos que têm disciplinas criam campos do conhecimento, da compreensão e da atividade. Em minha opinião, o que importa é que diligentes pensadores e honestos ativistas respeitam as habilidades aprendidas e talentos de nascimento. Existirá sempre alguém que sabe mais do que você em seu campo ou pode fazer algo mais do que você pode. Não porque você é inexperiente no domínio, mas porque você, em determinado momento e tema, necessita a ajuda de uma outra pessoa. Eu nunca procuro a ajuda de uma pessoa 'interdisciplinary', mas somente de um 'disciplined'."

E segue: "Há hoje uma consciência crescente que os diagramas podem ter um papel fundamental na comunicação das idéias. Na Física moderna, o diagrama de Feynman é uma ferramenta indispensável do pensamento. Eu fiquei interessado nos diagramas em árvore. Neste campo há os cientistas cognitivos que discutem fortemente as hierarquias, as taxonomias. É isto uma questão interdisciplinar? Em um sentido, 'sim', e eu devo estar  consultando peritos das disciplinas que são mutuamente entrelaçadas nesse foco pretendido.  

Mas, em um sentido mais importante, a resposta é 'não': os acadêmicos altamente disciplinados ajudam sempre e individualmente o pesquisador externo em um projeto que seja fácil de explicar e de cativar a atenção.Eu respeito as perguntas levantadas por meus colegas, mas acho que vale a pena fazer uma indicação em relação às disciplinas que, embora de grande colaboração, não necessitam ser, no sentido amplo da palavra, 'interdisciplinares'."[*] 

Um querer interdisciplinar não pode simplesmente transpor teorias e conceitos emprestados de um campo ou área para formar novo conhecimento em outra área. Este transporte de idéias, métodos, do pensar em si tem que respeitar as características existentes e manifestas da área que empresta, por exemplo, a Ciência da Informação com seu objeto, a informação, considerando todas as suas configurações fenomenais, suas qualidades, características e singularidades. Não basta pegar e trazer. É preciso estabelecer um canal formal de comunicação e relações entre as duas áreas.

A interdisciplinaridade é a observância partilhada de preceitos e normas acadêmicas e não se constrói na desordem da emergência. Assim, toda uma argumentação deve ser construída para a viabilidade da transmutação de conhecimentos que precisa estar clara e convincente.  Deve estar, ainda,  detalhadamente explícito como este pensar estrangeiro se insere no mundo do outro campo e, ao se inserir, não provocar estranhamentos teóricos e conceituais. A interdisciplinaridade é via de mão dupla e só acontece no trabalho conjunto e formalizado de grupos comuns.

Um bom exemplo desse desencontro de idéias é a Ciência Cognitiva, um trabalho conjunto de neurocientistas, biólogos, cientistas da computação, engenheiros e cientistas sociais, entre outros. Um primor de interdisciplinaridade por quantidade de campos.

A Ciência Cognitiva defende que as operações mentais podem se adequar a um sistema representacional do tipo algoritmo versus máquina para modelar e expor as funções cognitivas em determinado contexto. Assim, pelas normas da ciência cognitiva, podem ser representados em um modelo computacional a memória, a cognição, o raciocínio, o conhecimento e a representação do conhecimento. 

Este modelo da Ciência Cognitiva nada tem a ver com o "cognitivismo", do qual nos fala Nick Belkin e outros. Este tem uma conotação humanista e filosófica de apropriação da informação por uma consciência subjetiva: acredita o conhecimento como fruto de um processo que envolve as cadeias do pensamento, processo complexo, ainda inexplorado, e não modelável como um centro de cálculo.

Olhar várias disciplinas instrui a criatividade e a multiplicidade é uma saudável nação da universidade e da ciência. Mas como diz o autor acima: "não necessitam, estas disciplinas, ser no sentido amplo da palavra 'interdisciplinares' só pela coexistência de interesses comuns". 

Publicado em: Sobre a Interdisciplinaridade
http://www.datagramazero.org.br/dez04/Ind_com.htm 


segunda-feira, 31 de março de 2014

O Datagramazero e o processo de comunicação cientifica no Brasil.





Pesquisa realizada pela UNESP mostra  onde são publicados os artigos com os projetos de estudo desenvolvidos pelos bolsistas de produtividade de pesquisa 1 e sênior do CNPp para a área de ciência da informação. Veja a tabela abaixo e leia o artigo completo  no Datagramazero de Abril. 



“... a Tabela 2 evidencia os 10 periódicos nucleares em que os bolsistas PQ da Ciência da Informação, categoria 1 e sênior, socializaram o conhecimento novo produzido, tomando como critério de inclusão neste rol, os periódicos que publicaram seis ou mais artigos, no período em estudo... A partir da análise da Tabela 2, destacam-se ainda os periódicos que apresentaram maior permeabilidade no conjunto de pesquisadores. Nesse sentido, observa-se que a revista DataGramaZero  é a que apresenta maior permeabilidade na medida em que 14 dos 15 pesquisadores nela publicaram.” 



FONTE: DataGramaZero - v.15  n.2  abr/2014  -Artigo 05
“Produção científica de bolsistas pesquisa em Ciência da Informação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - um estudo com artigos de periódicos”
por José Augusto Chaves Guimarães, Maria Cláudia Cabrini Gracio e Daniela Fernanda de Oliveira Matos

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O medo fundamental




A série de livros infantis "As Crônicas de Nárnia" foi escrita pelo irlandês C.S. Lewis contando as aventuras que ocorrem em uma terra fictícia denominada Nárnia. Na história o bem tenta  dar combate ao mal, animais podem falar e criaturas mitológicas estão em todo lugar.  O sociólogo Bauman falando de seu livro,  “Medo líquido” reproduz algumas das condições que achamos imperam em uma terra de escolhidos.

“Os pensadores da revolução moderna tinham duas ambições espantosas  no  projeto do Iluminismo: reorganizar a sociedade segundo os princípios da razão, e submeter a natureza ao controle humano. Os seres humanos seriam finalmente libertados dos azares da contingência e protegidos dos golpes do destino e das catástrofes. A história humana seguiria, então, pela a lógica da razão, quer dizer, seria compelida a servir à causa da integridade  e da justiça e do discernimento. Contudo,  este projeto do Iluminismo,  que  continua inconcluso,  indica a essa altura  que há boas razões para se acreditar que ele não pode ser concluído."

A luta por justiça sempre foi uma luta para libertar-se do medo;  filósofos tentam explorar as sutis distinções semânticas da palavra justiça.  O injusto  é o anormal, o fora do comum, o inesperado, o sem-razão. O que todos nos tememos  é sermos rejeitados  por injustiça ou pelo desprezo e pela exclusão.  Há também o medo, em todas as classes, de não fazer parte do pensamento homogêneo indicado pela mídia. Ou seja, o foco da injustiça  passa pela sobrevivência social e por querer manter alguma dignidade social.

Libertar-se do medo também não é coisa simples em um local de esquemas de exceção. Sofremos  em todos os níveis sociais de um medo fundamental. Por temor fundamental quer se expressar  a condição cuidadosa em que o sujeito exerce a sua participação na esfera publica. É um medo com o que falar, com quem falar e sobre o que falar ou escrever. Um receio que detém uma maior participação pública, perdoa a corrupção e induz a  conivência como forma de tranquilidade social pelo  alheamento. O atuar e o viver da nossa vida na esfera política se projetam com  cuidado e com certo receio no estar coletivamente.

Nesta configuração temerosa a sobrevivência social e funcional  não é baseada em uma escala de méritos ou competência conquistada . É alcançada nas relações de ajuntamento partidário, parentesco, pândega, e ações entre amigos. E assim são decididas as preferências para as indicações, as comissões, os comitês: decisões de uma cultura do compadrio. 

O receio constante afeta o projeto do Iluminismo. E os excluídos  vivem em constante medo de ser atingidos, também, pela: “La mano de Dios” *  analogia usada para autenticar inverdades,  validar vitórias não vencidas e afastar os descontentes com o estado das coisas.

Aldo de A Barreto
2014
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*La Mano de Dios é o nome de um gol histórico marcado por uma seleção mundial em jogo válido pelas quartas-de-final da Copa do Mundo FIFA de 1986. Ao final do jogo, questionado sobre o gol feito com a mão, o jogador assim respondeu: “Lo marqué un poco con la cabeza y un poco con la mano de Dios”  







domingo, 17 de novembro de 2013

O insustentável peso da base física



A informação digital  seu volume e as novas ferramentas que trazem estão incidindo diretamente sobre o indivíduo e sua existência e sua convivência com artefatos de comunicação. Uma nova economia da publicação e leitura explica porque os documentos do futuro tenderão a ser, em sua maioria,  em formato digital. O formato eletrônico tem condições econômicas imbatíveis se comparado com o convencional impresso; no caso da nova economia os produtos digitais o custo é consideravelmente  menor  que dos produtos  impressos tradicionais com consumo  pautado por uma tradicional relação de lucro.

A escrita pós-Internet, sem mudar totalmente o código da escrita, mudou sua condição de uso. A escritura não é mais fixa em uma única base e passeia por diferentes espaços para explicar ou enriquecer o tema. Condições de leitura se modificaram e o deciframento da escrita, ainda vai  de signo a signo, mais o signo se espacializou e sua agregação exige cada vez mais uma apresentação com visualização amigável.  A leitura passa a ser uma potência do imaginário do leitor onde as palavras  explodiram em sua sensibilidade para percepção do significado.

Convivemos, cada vez mais intensamente, com formatos  abertos  e  cada vez mais se lê diretamente na tela do computador;  o  interesse na leitura digital e suas possibilidades vagueantes  é a sedução da viagem por espaços entrelaçados. Virtualizam-se as bases fixas de inscrição das narrativas  escritas,  sonoras e de imagens.    As bases de informação de  formato físico e de manuseio estão se acabando com celeridade.

Assistimos neste final de 2013 o acabamento do DVD sem muita emoção. Nos EUA a Blockbuster maior repassadora de vídeos em dvd e do natimorto bluray fecha as suas lojas por falta de demanda. As locadoras que existem entre nós enfrentam seu fim diversificando sua atividade com a venda de sorvete e chocolate. Filmes e vídeos se alugam, agora, online pela TV ou na internet.

Anteriormente a Polaroid se despediu da fotografia; a empresa fechou suas fábricas de produção do filme. A Polaroid, que se tornou sinônimo de fotografia instantânea, anunciou o fechamento de suas fábricas em Massachusetts, EUA, México e Holanda. As câmeras já haviam deixado de ser fabricadas há dois anos. A empresa não conseguiu acompanhar a tecnologia digital que mudou tecnologia da fotografia para sempre. A  impressão em papel e tinta praticamente acabou, devido a seu custo.

Os cinemas dão adeus ao já velho filme em base de celuloide. Sistemas de projeção digital facilitam a vida de distribuidores e exibidores e a qualidade  digital da projeção melhora, ainda,  as condições de recepção; o filme é transformado em arquivo digital e armazenado em um servidor, que o envia via satélite para os aparelhos dos cinemas "kinoplex". A partir daí, basta um clique na hora marcada para que o filme seja projetado sem interrupções em uma ou outra sala de exibição.

As gravadoras começam  a comercializar música em cartões digitais de leitura  com o objetivo de acabar o mercado  de suporte físico tradicional o CD. Um cartão magnético de memória é inserido no "slot"  Usb do seu aparelho de "som"e pode ter uma grade número de músicas. Não risca, não arranha, não mofa, o espaço para armazenagem é enorme e  o custo menor. Comece a se despedir ou colecionar CDs, pois ele será artigo para  os colecionadores.

A transmissão da voz e de músicas  por rádio digital foi já aprovada no Brasil. A tecnologia de rádio digital permite a compressão dos sinais de voz, abrindo o canal de rádio para a transmissão AM sem interferências e FM com som digital mp3. Além da qualidade de som, o rádio digital, permitira a transmissão de textos exibidos em um visor do aparelho.  Receptores mais modernos poderão transmitir vídeos e "clips" da música tocada. O rádio digital  permitirá a transmissão de até três programas simultâneos, na mesma frequência, para públicos diferenciados. 

São grandes as transformações desta mudança estrutural dos formatos  da informação, a maior delas, em se fazendo, já está ocorrendo e é uma completa reorganização  espacial na esfera de leitura. Os livros não acabarão nunca, mas modificarão o seu formato. A substituição da leitura de um livro  de impressão papel e tinta não será aceita culturalmente para os nascidos antes de 1980. É uma afetividade de enorme querência a um velho amigo com quem convivemos desde criança. Mas, para a geração do videogame não haverá melhor opção de leitura e entretenimento.

O livro eletrônico tem condições econômicas imbatíveis se comparado com o impresso; baixo custo de acesso,  uso imediato  e disponibilidade  no local preferencial do leitor  o que o torna, ainda,  um fator de inclusão informacional e dai de inclusão social. Qualquer política de governo que não contemple esta possibilidade não será socialmente pensada.

“Eu amo  aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque  são esses os que atravessam de um para o outro lado.”

(palavras  de Zaratustra de Nietzsche)

Aldo A Barreto




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O valor o preço e o custo da informação





A informação é muitas vezes indicada como mercadoria* de consumo ou um bem econômico para facilitar sua inserção no mundo dos negócios, das tecnologias e, até, em disciplinas do mundo acadêmico. Talvez devido à nova economia da web  a abordagem da informação como  produto voltou ao foco de reflexão.

Porém, em termos econômicos, a informação [conteúdo] seria um bem econômico  torto, por não possuir os atributos necessários para esta caracterização, isto é: não tem uma clara unidade de medida; não é divisível e sim abundante;  não é escassa,  não se extingue com o consumo, e, sobretudo quando consumida não se transforma em propriedade do consumidor;  sua posse pelo usuário mesmo quando defendida por condições legais é de difícil manutenção.

Seu  valor  é dependente do sujeito que a necessita. A abordagem econômica descreve este valor como subjetivo e determinado pela interação entre um conteúdo em uma determinada base e um o sujeito. O valor de uma informação é relativo ao indivíduo que a deseja  por razões da utilidade de seu significado. Não terá qualquer valor esta mesma informação para outro indivíduo que não a qualifica como relevante. Assim é uma falácia pensar em agregar valor ao conteúdo de  uma informação que nada vale na escala de valores daquele indivíduo que a renega por não precisar dela. A um acervo de informação pode-se agregar custos para sua maior eficácia como uma infraestrutura de  recuperação e repasse.

O mercado de informação é atormentado pela relação:  preço, custo e valor. A mesma "mercadoria" * informação possui uma valor diferente para diferentes consumidores. Configurar um preço de equilíbrio é impossível, pois tal preço pode estar muito abaixo ou muito acima do que diferentes usuários, com diferentes necessidades, lhe atribuem e estão dispostos a pagar por ela no mercado.  Fácil seria colocar preço no objeto livro, no periódico, no jornal, no disco, mas então, estamos falando da base e não do conteúdo.

Por razões semelhantes o conteúdo de informação, também, não é um insumo ou um fator de produção; por definição (na teoria da produção) todo fator de produção (insumo) perde suas características, desaparece, no processo de produção que faz  surgir o novo produto. E isto não acontece com a informação. Por exemplo, as meadas de algodão desaparecem quando da fabricação de um casaco. Existe informação juntada em todo o processo de produção do casaco, mas ela permanece igual, após a finalização da produção do casaco.

O conteúdo de uma informação é imaterial não têm existência física é em um ativo intangível, pois está associado a não materialidade do bem. Este ativo intangível se modifica unicamente quando se transforma em conhecimento na consciência de um usuário.

Seguindo esta linha de reflexão lembramos que o conceito de valor é relativo e específico para cada indivíduo, de acordo com a sua escala de preferências, com a sua hierarquia de desejos. Um  indivíduo valoriza o conhecimento - A -  em relação ao conhecimento - B - dentro desta escala de preferências. Neste caso, o valor do conhecimento A, para cada indivíduo, vai depender:

        I. De sua preferência pelo conhecimento A em detrimento ao conhecimento B;

        II. Da sua competência cognitiva em decodificar A e B e assim tornar possível uma  comparação e uma apropriação;

        III. Do conhecimento  A  e do conhecimento  B  estarem em um código que seja simbolicamente  significante para o receptor que as avalia.

Quando no julgamento do usuário, o valor do conhecimento A é maior que o valor do conhecimento B, ele efetuou uma decisão de utilidade entre duas coisas. Portanto, o valor entre duas opções é relativo e só se efetiva com a potencialidade da absorção daquele conhecimento pelo receptor.

Todo ato de conhecimento está associado a um conteúdo simbólico e representa uma  cerimônia com ritos próprios e uma passagem simbolicamente mediada  para um receptor da informação. O valor de troca, de mercado ou valor adicionado, no mundo simbólico dos conteúdos, são medidas imponderáveis.


Aldo de A Barreto

ver também:

A gestão do conhecimento, o capital intelectual e os ativos intangíveis 
http://www.datagramazero.org.br/out12/Art_08.htm


Conteúdos imateriais simbolicamente significantes

http://www.datagramazero.org.br/abr10/Art_02.htm



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* por mercadoria estamos indicando, somente, a condição uma técnica de produção de um produto.  Não estamos, aqui, vinculando ao termo mercadoria toda a ideologia relacionada com os fatores de produção.